1) Competências:
A Declaração de Bolonha acrescenta, como objectivo da formação universitária de 1º Ciclo (Licenciatura), a aprendizagem, desenvolvimento e experimentação de competências (saber como fazer), ao objectivo já existente de aquisição e prospecção de saberes especializados (conhecimento).
2) Autonomia:
Bolonha convida o estudante a trabalhar sob uma perspectiva de maior autonomia academicamente orientada. A maior autonomia do percurso académico de cada estudante é particularmente visível em:
a) No maior número de horas de trabalho autónomo desenvolvido fora das horas de contacto (aulas presenciais). As aulas são encaradas como pontos de encontro para a enunciação e problematização de conceitos fundamentais que serão desenvolvidos e investigados autonomamente pelos estudantes a partir das referências e linhas de investigação indicadas pelos docentes, exigindo uma permanente monitorização deste trabalho pelos docentes, quer à distância, quer pela aferição do trabalho autonomamente desenvolvido em espaço de aula. Assim, apesar de se ter verificado uma redução global do número de anos de estudos universitários (horas de contacto) necessários para a conclusão do 1º Ciclo (Licenciatura), o volume de trabalho que o estudante terá que desenvolver não será forçosamente menor (horas totais).
b) Na exclusividade de cada plano de estudos. Dificilmente haverá dois estudantes que cumpram um plano de estudos rigorosamente similar. Além da possibilidade de, dentro do Curso de Licenciatura, poderem escolher áreas de maior desenvolvimento (ramos, nucleares e projecto), os estudantes terão acesso a um número de unidades curriculares que terão que ser escolhidas por si, a partir dos planos de estudos da sua Licenciatura, de outras Licenciaturas da FBAUP, de outras Licenciaturas da U. Porto, de outras Licenciaturas de outras Universidades Portuguesas ou estrangeiras (quando existirem acordos de mobilidade) ou até de trabalho autónomo desenvolvido sob a forma de “Estudos Independentes”.
c) Na crescente interdisciplinaridade. Além dos próprios planos de estudo estarem particularmente atentos ao olhar aprofundado sobre a contemporaneidade, sem descurar a consolidação dos saberes e competências estabelecidos como essenciais, procuram fomentar o cruzamento de saberes e competências com áreas conexas. Este cruzamento poderá ser feito desde o 1º Ciclo, na escolha do 2º Ciclo (Mestrado), ou no desenvolvimento de projectos transdisciplinares que possam vir a ser creditados. O grau desta interdisciplinaridade dependerá, evidentemente, dos interesses científicos do estudante e da apreciação que destes for feita pelos docentes e órgãos do curso respectivos.
3) Creditação:
Bolonha impõe a creditação uniforme dos Cursos de Ensino Universitário. Esta creditação (cada crédito ECTS) corresponde a um volume de trabalho que será igual em todos os países subscritores. Assim, independentemente da duração (nº de semestres ou anos curriculares) de um dado ciclo de estudos, o estudante será sempre portador de um determinado nº de créditos. Estes poderão corresponder a uma titulação em grau (Licenciado, Mestre, Doutor) ou não (Pós-graduação, formação contínua ou cursos especializados). Independentemente do Grau, cada Estudante possuirá (sempre e para sempre) um “passaporte académico” que indicará o nº de créditos total que detém de formação universitária, bem como a proporção em que estes se distribuem por área científica e unidade curricular. Tal permitirá:
a) uma maior legibilidade do percurso académico de cada estudante, para este, para a academia e para o mercado.
b) uma maior consideração por todo o trabalho académico desenvolvido, visto que mesmo os estudos não conducentes a grau serão creditados no percurso académico de cada um.
c) uma maior tradutibilidade do percurso de cada estudante entre instituições, entre países, entre instituições e mercado, e entre diferentes momentos da vida do próprio estudante (estudo, trabalho, outra vez estudo ao mesmo tempo que trabalha, mudanças e aperfeiçoamentos de carreira profissional e formação, formação profissional em contexto académico, aprendizagem universitária em contexto profissional, aprendizagem ao longo da vida, etc.).
d) empregabilidade: possibilidades de uma empregabilidade mais mutável e dinâmica. Estando Portugal e o Espaço Europeu numa mutação acelerada de uma sociedade pós-industrial para uma sociedade de serviços altamente especializada na inovação, na autoria e na especificidade; e estando o mercado laboral já consolidado como um contexto de carreiras diversificadas (nas competências e saberes), distintas (desenvolvidas paralelamente [trabalhador por conta de outrem e profissional liberal] e, por vezes em simultâneo) e altamente especializadas, a posse de uma certificação universitária especializada, transdisciplinar, vocacional, legível e traduzível pretende adequar o percurso universitário clássico a esta nova realidade e, concorrentemente, colocar este percurso em constante competição entre si e com a realidade que o circunda que, assim, deixará de lhe ser exterior. Esperamos que tal aconteça, com particular incidência e dinamismo, junto dos Estudantes da FBAUP.